
Talvez houvesse um pressentimento no ar naquele emudecer repentino da tagarelice matinal dos passarinhos e o tique-taque do despertador, como a solene quietude a preencher um breve gesto de boas-vindas.
A sensação do toque mágico de um mensageiro invisível, vindo de um além da imaginação, prenunciou a entrega de uma mensagem e um presente. Uma simples palavra, unfold 1, e a visualização da imagem de um presente a desembrulhar-se foram suficientes para eu me sentir transportada a uma nova realidade, onde a vida acontece em incessantes desdobramentos ou revelações, momento a momento, camada após camada.
E havia um maravilhamento em tudo isso que me brindava com lembranças de um prado florido, um belo canteiro de dálias e luzes coloridas de fogos de artifício em um céu noturno, exibindo-se em sincrônica reflexão à radiância do Sol ou à alegre expectativa de um olhar.
A vida apresentava-se agora como um múltiplo florescer de luzes, cores e formas, únicas em suas expressões, harmônicas em sua diversidade, compondo um movimento que, longe de ser aleatório, era evolutivo e musical.
Tudo aconteceu em um breve momento e então, sem avisar, fui reconduzida à minha humanidade. Voltei a ouvir os pássaros, o relógio e os passos apressados dos operários na rotina de sua jornada, e senti novamente a densidade infiltrando-se em todas as formas ao meu redor.
Desde aquela manhã, trago em meu coração a consciência de que escolhi vivenciar a experiência do tempo em sua linearidade, mas sei também que cada instante conserva em si a mágica conexão com o presente em seu duplo significado, no qual sou eu mesma essa dádiva de além do tempo a revelar-se em sua luminescência e temporalidade. Agora, guardo um sorriso junto desta visão que ousa acolher o tempo em sua densidade e sutileza, pois descubro nela, repousando serena, a Inteligência a reger sua criação em seu eterno florescer.
Setembro. 2023.
- Verbo em Inglês, significando desdobrar, revelar, abrir. ↩︎