Ingênua Metafísica de um Beijo

Em minhas meditações, por vezes me esgueiro ao aconchego das almas, feito criança curiosa e faceira a colher-se em versos pelos campos de um inaudível cantar — tímida Luz em seu anseio por experienciar seu amor e existir.

Nesse meu atrevimento poético, não seriam galáxias, estrelas, seres, partículas, elementais, almas e anjos — como flores silvestres pontilhando a paisagem soprada — manifestações densas e sutis dessa mesma Luz a parir-se pela inocente alegria de se reconhecer?

Embarco agora em uma ingênua metafísica ao dançar nas ondas do mar das diversidades, onde o denso anseia o sutil assim como o sutil anseia o denso e, bailarinos que são, entrelaçam-se, como entrelaçados estão em suas intenções, em seu amor.

Assim, na coerência desse acalentado encontro, eu teço a rosa de quem Sou com uma linha néon que se insinua, envolve e ousa cativar o tempo em sua solene reverência a essa imanente flor, que ora se entrega ao beijo do invisível alado ser.

Seríamos nós — seres humanos — esse curvar-se do tempo, o êxtase desse efêmero beijo? Seríamos ser físico e ser espiritual no dessegredo de sua fugaz intimidade, fiando memórias eternamente entrelaçadas de suas consciências a se discernirem e expandirem no livre fluir das ondas desse mar de contrastes?

No enlevo dessa dobra temporal, então seríamos Luz em corpo e alma, seríamos Presença, seríamos a mais pura intenção do Amor a nos sorrir.

Julho, 2023.

marisrohenkohlen.com/the-naive-metaphysics-of-a-kiss

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