
Um pinheiro cresce solitário na escarpa de uma alta montanha.
Um silêncio inesperado arrebata o seio de uma floresta.
Aves planam graciosamente, deixando-se levar pelas correntes de um ar que ascende.
Um rochedo imperturbável guarda as marés à beira de um mar.
Há luz, há consciência em todas as formas criadas — vida é consciência que se expande.
Um monge em serena quietude sentado sob uma árvore é consciência que expande.
Um esquimó insone que contempla o céu estrelado na vastidão ártica é consciência que expande.
Uma mãe com olhar zeloso e terno observando seu bebê a dormir é consciência que expande.
Na quietude, quando o coração veleja em mares interiores, reconhecemos quem somos verdadeiramente — somos amor. Somos o sopro que modela a vida, o sonho constelando a realidade. E nesse fluxo de criação amorosa, a consciência segue a se expandir.
Amor é tudo o que somos. E na afirmação de que “somos”, assumimos a responsabilidade da cocriação, amando a nós mesmos profundamente, colocando nossas decisões e escolhas, nossos destinos, sob sua luz e sob o brilho e a honra de sua espada.
Sento-me à janela da sala de jantar e a transitoriedade define-se na paisagem a cada instante desse tempo inestancável. Por que o temor se no ventre do silêncio percebo a centelha a pulsar, a parir-se em mim e no mundo lá fora?
Admitamos, não há nada a fazer, somos amor. E mesmo que muitos existam ora como faróis silenciosos, sua luz reverbera por mares visíveis e invisíveis, em ondas conscientes eternamente a expandir e evoluir.
Janeiro, 2021.
marisrohenkohlen.com/impressions-on-love-and-consciousness
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