
Tempos atrás, participei de uma vivência online na qual tive uma visualização que ainda permanece viva em mim. Meu desejo, então, era receber uma orientação sobre como fluir no mundo, junto com as pessoas. Eis a visualização:
“Estava em uma floresta verdejante, numa pequena clareira onde uma nascente dava origem a um pequeno lago. Parada ali, à beira deste lago, eu observava o belo cenário. Raios de sol perpassavam as copas das árvores, indo refletir-se na superfície serena da água, permitindo-a brilhar. Borboletas brancas com leves tons coloridos surgiram em pequeno número a voar sobre o lago somente para me fazer companhia. Havia uma rocha à minha direita e eu me apoiei nela para contemplar com mais vagar. Era tranquilo ali. Senti o aroma das árvores que circundavam o pequeno lago. Um silêncio pairava no ar, me permitindo perceber o leve farfalhar das folhas nas árvores mais altas e o canto ainda tímido de alguns pássaros que pareciam desejar me observar sem se revelar. Uma sensação de conforto percorreu meu corpo, meus sentidos, um conforto familiar, como se estivesse sendo envolvida pelos braços de minha mãe. Eu estava em casa e tudo estava bem. Não havia porque me preocupar com as pessoas ou o mundo, pois tudo seria um fluir natural, tudo estaria bem.”
Pouco depois percebi que, assim como sentia a Mãe Natureza junto ao pequeno lago como sendo o meu lar, as pessoas também o seriam, pois todos nós somos parte dela, desse algo maior, dessa mesma família. E se, em nosso imaginário, nos reuníssemos junto ao pequeno lago, nos permitindo beber de suas águas cristalinas, mirando-nos em sua superfície brilhante, descobrindo-nos na coerência de um novo estado de ser, com sincera intenção, sentiríamos a alegria de cocriarmos em nossos corações esse nosso lar.
Julho, 2020.